
De um lado, há os “pré-candidatos” que já atuam como candidatos oficiais. Estão nas ruas, promovem eventos, mobilizações e discursos, ocupando todos os espaços como se agosto já tivesse chegado.
Do outro, estão aqueles que parecem ignorar a eleição que se aproxima. Não constroem presença, não dialogam com a população, não testam mensagens e passam a impressão de que ainda não decidiram se disputarão o pleito.
Nos dois casos, existe um problema pouco discutido: o impacto sobre as equipes.
Quem trabalha em campanha sabe que há uma diferença importante entre cansaço e exaustão. O cansaço vem do trabalho; a exaustão, da falta de propósito.
Quando a pré-campanha se transforma em campanha antecipada, a equipe entra em um ciclo em que tudo é urgente. O resultado costuma ser previsível: quando a disputa começa oficialmente, grande parte do repertório já foi utilizada. Vídeos, fotos, promessas e eventos se repetem, reduzindo a capacidade de apresentar novidades ao eleitor.
A pré-campanha deveria cumprir outra função: ouvir, construir narrativas, fortalecer a imagem e compreender o ambiente político. É nesse período que se identificam aliados, lideranças relevantes e mensagens capazes de gerar conexão com a população. Gastar energia em excesso agora pode significar chegar enfraquecido ao momento de maior pressão.
O extremo oposto também tem custos. Quando nada acontece, a equipe deixa de entender quais temas mobilizam as pessoas, quais lideranças influenciam o debate e quais territórios merecem atenção. Sem movimento não há aprendizado; sem aprendizado não há estratégia.
Faltam menos de dois meses para o início oficial da campanha eleitoral. Em 16 de agosto, a disputa muda de patamar. Como costumo dizer, será ligada a máquina de moer reputações. Além de apresentar propostas, as campanhas precisarão responder ataques, enfrentar desinformação, lidar com narrativas adversárias e administrar crises.
Tudo isso exige equipes preparadas, organizadas e motivadas. Por isso, a pergunta mais importante neste momento não é quantos votos o candidato tem hoje, mas se sua equipe terá energia para atravessar os próximos meses.
Campanhas são vencidas por candidatos, mas sustentadas por pessoas. E pessoas esgotadas dificilmente entregam seu melhor desempenho.
Já passou da hora de movimentar as peças do tabuleiro eleitoral. O desafio não é acelerar além da conta nem assistir à disputa da arquibancada, mas encontrar o ritmo adequado para avançar com consistência.
Tenho poucas dúvidas de que 2026 será uma eleição dura. Talvez não seja a mais difícil que já enfrentamos, mas certamente não será uma campanha para amadores. E, se a história recente serve de parâmetro, uma regra continua se confirmando: a próxima disputa quase sempre será mais complexa que a anterior.