
Duas pesquisas divulgadas recentemente apontam cenários bastante diferentes para a disputa pelo governo da Bahia nas eleições de 2026. Os levantamentos, realizados pelos institutos TML, divulgado pelo site Política ao Vivo, e Séculus, em parceria com o Bahia Notícias, mostram resultados praticamente invertidos entre os dois principais nomes que aparecem como potenciais candidatos: o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
Na pesquisa TML / Política ao Vivo, realizada entre os dias 18 e 21 de fevereiro, Jerônimo Rodrigues aparece na liderança com 52,51% das intenções de voto no cenário estimulado, enquanto ACM Neto registra 35,65%. Outros nomes aparecem com percentuais residuais, como José Carlos Aleluia (1,03%) e Ronaldo Mansur (0,93%). Nesse cenário, 8,95% dos entrevistados disseram não saber ou não opinaram.
Já o levantamento do Instituto Séculus / Bahia Notícias apresenta um quadro oposto. Nele, ACM Neto lidera com 48,28%, enquanto Jerônimo Rodrigues aparece com 31,15%. Os demais nomes citados somam menos de 1% cada. A pesquisa também aponta 9,47% de brancos e nulos e 9,93% de eleitores que não souberam ou não quiseram responder.
A comparação direta entre os dois levantamentos evidencia a discrepância dos resultados. Enquanto na pesquisa TML Jerônimo aparece com vantagem de cerca de 17 pontos percentuais, no levantamento Séculus o cenário se inverte e ACM Neto passa a liderar também com cerca de 17 pontos de diferença.
Outro dado relevante divulgado pelo levantamento Séculus diz respeito à rejeição dos candidatos. Nesse indicador, Jerônimo Rodrigues aparece com 37,96%, enquanto ACM Neto registra 22,65%. José Carlos Aleluia tem 5,71% e Ronaldo Mansur 6,42%.
Especialistas costumam apontar que diferenças desse tipo podem ocorrer em razão de fatores metodológicos, como perfil da amostra, regiões pesquisadas, método de coleta e formulação das perguntas. Pesquisas eleitorais são retratos de um momento específico e podem apresentar variações significativas quando realizadas por institutos distintos.
Além disso, o cenário político ainda se encontra em uma fase inicial. As pré campanhas no estado da Bahia ainda não começaram de forma estruturada, o que tende a favorecer momentaneamente aqueles que ocupam cargos ou possuem mandato, já que estão naturalmente mais expostos no noticiário e na agenda institucional.
Outro fator que influencia o comportamento do eleitor é o atual ambiente de comunicação política. A enxurrada de notícias negativas sobre política nos veículos de imprensa tem contribuído para um afastamento crescente de parte da população do debate público e do acompanhamento do processo eleitoral. Esse fenômeno pode fazer com que uma parcela significativa do eleitorado defina seu voto apenas nas fases finais da campanha.
Diante desse cenário, analistas avaliam que os possíveis candidatos precisarão concentrar esforços na construção e proteção de reputação pública. Em um ambiente altamente influenciado por narrativas, redes sociais e ciclos intensos de informação, consolidar uma imagem positiva pode ser decisivo para evitar que percepções negativas ou narrativas adversas se estabeleçam antes mesmo do início oficial da disputa.
Com a eleição ainda distante, os próximos meses devem ser marcados por movimentações políticas, articulações partidárias e estratégias de posicionamento que podem alterar significativamente o cenário eleitoral no estado.