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Quando a caricatura vira estratégia e a imagem não se sustenta

Não é a inteligência artificial que erra. É a tentativa de impor uma imagem que não existe fora das redes.

10/02/2026 às 09h00 Atualizada em 10/02/2026 às 09h05
Por: Redação
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Quando a caricatura vira estratégia e a imagem não se sustenta

Quando a caricatura vira estratégia e a imagem não se sustenta

 

Não é a inteligência artificial que erra. É a tentativa de impor uma imagem que não existe fora das redes.

 

A trend de caricaturas feitas por inteligência artificial tomou conta do Instagram e à primeira vista parece apenas uma brincadeira visual. O problema começa quando essa ferramenta passa a ser usada como estratégia para impor uma imagem que não corresponde à realidade. O erro não está na tecnologia, mas na intenção de criar um personagem desconectado da vida real.

 

Não basta dizer que alguém é líder, gigante, carismático, humilde ou o melhor. Essas palavras não constroem imagem sozinhas. Elas só fazem sentido quando são ditas pelos outros, depois que a percepção já foi formada. Primeiro as pessoas enxergam, depois reconhecem e, só então, passam a chamar alguém por esses atributos. Quando o discurso tenta antecipar esse processo, o efeito costuma ser exatamente o contrário do desejado.

 

O que se vê hoje são políticos tentando criar uma caricatura de si mesmos que não se sustenta fora das redes. Nesse cenário, há apenas duas possibilidades. Ou o GPT não está calibrado com a realidade e vai errar feio nas próximas eleições, ou alguém está alimentando o sistema com uma versão fantasiosa do candidato. Em ambos os casos, o problema não é a ferramenta, é a desconexão com a verdade.

 

Imagem não se cria no discurso, ela se confirma na convivência. Não adianta se dizer defensor dos animais se no dia a dia todos sabem que a pessoa apenas tolera bichos. Não adianta levantar a bandeira da família sem respeitar os próprios pais. Não adianta se dizer feminista sem cuidar, respeitar e valorizar a esposa, a mãe ou a filha. Não adianta vender humildade quando o trato cotidiano é arrogante e distante. A incoerência sempre cobra seu preço.

 

Com as redes sociais, a verdade passou a circular em alta velocidade. O que antes levava anos para aparecer hoje surge em semanas, às vezes em dias. Um vídeo fora de contexto, um áudio vazado, um relato de quem convive, uma situação banal que contradiz o discurso. Tudo se conecta, tudo se espalha, tudo se revela.

 

Criar um personagem nunca foi tão arriscado. O candidato não existe apenas no feed. Ele existe na rua, no trabalho, nos bastidores, nas relações familiares e profissionais. As pessoas convivem com ele e sabem quem ele é quando a câmera desliga. Nenhuma caricatura sustenta uma rotina incoerente.

 

A estratégia mais inteligente continua sendo a mais simples. Identificar as qualidades reais que o candidato de fato possui e amplificá-las. Trabalhar narrativa, linguagem, estética e posicionamento a partir da verdade reduz drasticamente o risco de erro. A imagem pode até ser lapidada, mas precisa ter base concreta.

 

Imagens falsas podem até performar por um tempo, mas consistência constrói reputação. E, no fim das contas, é a reputação que decide eleições.

 

Sobre o autor

 

Paulo Maneira é jornalista e estrategista político, com mais de duas décadas de atuação em campanhas eleitorais, comunicação pública e planejamento estratégico. Atua na construção de narrativas, posicionamento de imagem e organização de projetos políticos com foco em método, leitura de cenário e decisão no tempo certo.

 

É autor do livro Campanha Planejada, um guia prático sobre estratégia eleitoral e planejamento de campanhas.

Conheça o livro e compre seu exemplar em

campanhaplanejada.com.br

@paulomaneiraoficial

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Paulo Maneira
Sobre o blog/coluna
Consultor Político | Jornalista | Marketing Digital | Planejamento em Comunicação
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