
O eleitor brasileiro está ficando mais jovem, e isso não é uma projeção para o futuro, é um dado concreto do presente. Pesquisa nacional realizada em janeiro de 2026, regularmente registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 08254 2026, mostra que mais de trinta por cento do eleitorado brasileiro tem entre dezesseis e trinta e quatro anos. Trata se de uma parcela decisiva do processo eleitoral, formada por pessoas que começaram a votar de maneira mais consistente a partir da eleição de 2010 e que, desde então, participaram de todas as disputas nacionais.
Esse eleitor foi moldado em um ambiente completamente diferente daquele que estruturou as campanhas tradicionais. Ele cresceu em meio ao avanço das plataformas digitais, das redes sociais e da comunicação em tempo real. Não se informa prioritariamente por meios tradicionais, constrói opinião em rede, reage a narrativas e influencia pessoas próximas de forma contínua. Ignorar esse comportamento não é prudência, é erro estratégico.
Durante muito tempo, parte da política tratou o eleitor jovem como um público secundário ou como alguém que só deveria ser conquistado mais adiante. Os dados mostram o oposto. Esse eleitor já vota, já influencia e já interfere nos rumos do debate público. Ele não espera autorização para participar, ele ocupa os espaços disponíveis.
O equívoco mais recorrente está na forma de comunicação. Muitos ainda acreditam que falar com o eleitor jovem significa adotar linguagem artificial, usar gírias forçadas ou performar comportamentos que não correspondem à própria trajetória. O resultado costuma ser rejeição, não engajamento. O eleitor jovem percebe rapidamente quando há improviso, oportunismo ou tentativa de encenação.
Falar com esse público não é performance, é compreensão. Esse eleitor não é movido por uma pauta única. Ele se preocupa com segurança pública, saúde, inflação, custo de vida, educação, emprego e renda. São temas centrais para toda a sociedade. O que muda é a forma como ele se relaciona com essas questões. Ele valoriza coerência, clareza, posicionamento e consistência entre discurso e prática.
A disputa política contemporânea não se resume ao conteúdo das propostas, mas à construção das narrativas. Quem entende a linguagem, o ambiente e o repertório desse eleitor consegue estabelecer conexão real. Quem insiste em falar olhando para o retrovisor, corre o risco de perder a eleição antes mesmo da largada.
O eleitor jovem já entrou no jogo. Falta a política entender que, para dialogar com ele, não basta falar mais alto, é preciso falar do jeito certo.
Sobre o autor
Paulo Maneira é jornalista e estrategista político, com mais de duas décadas de atuação em campanhas eleitorais, comunicação pública e planejamento estratégico. Atua na construção de narrativas, posicionamento de imagem e organização de projetos políticos com foco em método, leitura de cenário e decisão no tempo certo.
É autor do livro Campanha Planejada, um guia prático sobre estratégia eleitoral e planejamento de campanhas.
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@paulomaneiraoficial