Cidades Festival de Cinema

Bahia e Pernambuco marcam presença no Festival de Cinema de Futebol

O curta-metragem “Gondwana, A Bola Conecta” estreia no CINEfoot hoje (6/12), às 19h e segue até quinta (09/12), às 17h. Durante 23 minutos serão apresentadas imagens sobre a influência da cultura Africana na Bahia e Pernambuco, através das lentes de uma câmera e do jogo com a bola

06/12/2021 14h40
Por: Rebeca Costa Fonte: Gondwana Comunicações/ Mônica Saraiva

Em um Brasil pluricultural, influenciado pela quantidade de correntes migratórias que recebeu ao longo da história e com 56% da população que se declara negra (entre pretos e pardos), surge o projeto Gondwana Futebol & Cultura que usa o poder universal do futebol para produzir conteúdos relacionados com a América Latina e África. E foi em busca de contar essas histórias, que a equipe vai apresentar esta narrativa num cenário que une cinema, cultura e futebol. 

 

O curta-metragem “Gondwana, A Bola Conecta” estreia no CINEfoot hoje (6/12), às 19h e segue até quinta (09/12), às 17h de forma gratuita e online no canal innsaei.tv. Durante 23 minutos são  apresentadas imagens sobre a influência da cultura Africana na Bahia (Barra, Candeal, Pelourinho, Rio Vermelho e Ribeira) e também em Pernambuco (Lagoa do Carro, Olinda e Recife).

 

“Trabalhei durante 10 anos com futebol e cultura dentro de um Museu. Então, pensei! Por que não entender da nossa cultura e história afro-brasileira através do esporte que está em todos os lugares do Brasil. Nos vídeos apresentamos relatos de vida, arte, música, gastronomia, sociedade e o futebol como tema central. Um dos objetivos é chegar na área da educação, mostrar para crianças e adolescentes conteúdos da nossa história, ”diz Mônica da Silva, diretora do curta-metragem.

 

A narrativa dos lugares é contada pelo olhar da jornalista e fotógrafa brasileira, Mônica da Silva, e do facilitador esportivo chileno Sebastián Acevedo, que saíram de São Paulo com uma bola e uma câmera, ferramentas que usam no dia a dia para se conectarem com as pessoas. 

“Foi a minha primeira vez na Bahia e Pernambuco. E como chileno, percebi o quanto a bola nos aproxima sem falarmos o mesmo idioma. Joguei com diversas pessoas muito talentosas, nas quadras, nas ruas, de pés descalços nas praias e campos de terra. Foi então que eu percebi o que faz do futebol brasileiro ser tão único, é por conta dessa mistura cultural”, diz Sebastián Acevedo, produtor do curta.

A cultura brasileira de uma maneira geral bebeu muito sobre aquilo que é a África na sua essência, do seu povo, dos seus ritos, dos seus mitos”, ressalta Vensam Iala, de Guiné Bissau e idealizador de Visto África.

Além de Vensam, outras pessoas participam do documentário, como Dinho, pescador que joga o Baba na praia; Alla, o artesão das ruas do Rio Vermelho que trata o futebol como um ato de amor; o capoeirista Danilo que relaciona o jogo com a ginga; as Meninas Olindenses que dão um show de empoderamento no campo do Olindão; o garoto Heverttony que brinca com a bola na quadra de Lagoa do Carro e os Meninos do Bonsucesso que dançam com a pelota de pés descalços no campo de terra.

Mônica e Sebastián se conectaram com dois projetos sociais que estão em lugares de influência afro-brasileira. Visitaram uma das comunidades mais antigas de Salvador, o Candeal, local que respira arte, música e futebol. A Escolinha Mulekada conta com a participação de aproximadamente 200 pessoas, entre 4 e 17 anos, cujo objetivo é desenvolver trabalhos sociais e educacionais por meio da bola. 

Já em Olinda, Pernambuco, conheceram o Raízes FC, time de matriz africana que surgiu a partir do projeto Maracatu do Terreiro de Pai Adão. Eles ensinam percussão, dança e futebol para cerca de 80 participantes, entre 5 e 17 anos. Os criadores da escolinha viajaram para a Nigéria em 2013 na busca de histórias de suas famílias, que chegaram ao Brasil em 1875. “Aí você mostra para as crianças e adolescentes que o presente delas está cheio de passado, está cheio da presença dos ancestrais”, diz Diana Mendes, historiadora e ex-coordenadora do Centro de Referência do Museu do Futebol em São Paulo.

A equipe Gondwana F&C está em busca de apoiadores, parceiros e patrocinadores para que possam avançar com o projeto e gerar impacto social, econômico e cultural. Entre os objetivos, fazer um fotolivro, produzir uma Série no Brasil em 2022 e na sequência por países da América Latina e África. Além de oferecerem oficinas de fotos e futebol que permitam desenvolver pensamento crítico e outras habilidades. 

O curta-metragem “Gondwana, A Bola Conecta” é uma produção independente, de 23 minutos, gravado de câmera celular e profissional, com edição e montagem do documentarista Cristiano Fukuyama.

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