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Sucesso na crise: comércio online do país cresce 68% na pandemia

Com lojas fechadas, varejo eletrônico produziu resultados positivos para empreendedores e trouxe novo fôlego aos pequenos negócios

18/04/2021 02h05
Por: Bahia Jornal Fonte: R7 - Angelica Sales, Do R7
Luciana e o marido, Alexandre: vendas de embalagens plásticas sextuplicaram na pandemia - (Foto: Arquivo pessoal)
Luciana e o marido, Alexandre: vendas de embalagens plásticas sextuplicaram na pandemia - (Foto: Arquivo pessoal)

O comércio eletrônico, que já era uma realidade para a maioria das empresas brasileiras, se impôs de maneira definitiva na pandemia. Diante da impossibilidade da abertura das lojas físicas nas fases mais críticas de enfrentamento à covid, pequenos empreendedores cederam às ferramentas digitais, das mais simples às mais elaboradas. O resultado desse esforço pode ser medido pelo incrível crescimento do faturamento apresentado por muitos desses negócios.

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“A pandemia acelerou a migração do negócio presencial para o remoto. Não houve saída diferente: quem ainda não utilizava o comércio digital teve de encontrar uma alternativa ao atendimento pessoal”, explica Guilherme Campos, diretor do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de São Paulo.

Levantamento feito pela entidade entre fevereiro e março deste ano mostra que este é mesmo um caminho sem volta: 7 em cada 10 empresas brasileiras vendem seu serviço ou produto pelas redes sociais, aplicativos ou internet. A média é a mesma tanto para microempreendedores individuais (MEIs) quanto para micro e pequenas empresas (MPEs).

Além disso, dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) revelam que, em 2020, o crescimento no setor de vendas online foi de 68%. De acordo com a entidade, as restrições e o fechamento do comércio físico fizeram com que o consumo virtual crescesse grandiosamente, com um faturamento de R$ 126,3 bilhões, frente aos R$ 75,1 bilhões registrados em 2019.

Os pedidos feitos pela internet em 2020 atingiram o número de 301 milhões, com um ticket médio de R$ 419,40, segundo a ABComm. Para este ano, a projeção da entidade é que o e-commerce continue crescendo gradativamente e atinja os 18%.

No início, optar pela venda digital nas redes sociais ou aplicativos de mensagens pode ser mais simples e barato, segundo o diretor do Sebrae. “Depois, o empreendedor pode experimentar vendas em uma página própria (e-commerce) ou em marketplaces (espécie de “shopping virtual” que hospeda vários vendedores de produtos)”, diz Campos. “O mais importante é fazer uma análise criteriosa dos custos para ver qual modelo se adapta melhor ao seu negócio.”

Ferramentas gratuitas

Para Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo e inovação do Insper, a utilização do Google Negócios é uma ótima alternativa para quem está começando e não quer e nem pode gastar muito. “É uma ferramenta gratuita que ajuda a organizar as informações de um negócio, facilita o trabalho de agendamento e, mais importante, aumenta as chances de uma empresa ser achada durante uma busca na internet”, explica.

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O cadastro no serviço é bastante simples, segundo Nakagawa. “Na dúvida, é possível buscar tutoriais na internet que ensinam o passo a passo.”  O Instagram Negócios e o Whats App Negócios, também gratuitos, oferecem recursos valiosos como a montagem de bases de visitantes, clientes e recorrentes.

“Nessas redes, é fundamental estar presente na timeline do cliente. É preciso engajar, converter e manter sua base”, diz o especialista, lembrando que a recente integração do Pix com o Whats App deve estimular ainda mais as vendas por esse método.

Sidnei Matarazzo, da Strike Bartender: 'Toda dificuldade gera uma nova ideia de trabalho'
Sidnei Matarazzo, da Strike Bartender: 'Toda dificuldade gera uma nova ideia de trabalho' - (Foto: Arquivo pessoal)

Drinques na pandemia

Marcar presença nas redes sociais e no e-commerce foi o que restou a Sidnei Matarazzo, de Santa Isabel (SP), depois que sua empresa de eventos, focada na preparação de drinques especiais, teve que reprogramar ou cancelar festas agendadas no ano passado. Depois do baque inicial, Matarazzo e o sócio tiveram uma ideia: passaram a oferecer aos clientes sofisticados kits com drinques clássicos e artesanais, com ingredientes, acessórios e um pequeno guia de preparação.

A novidade foi compartilhada no Instagram e no Whats App. Deu tão certo que o e-commerce foi criado poucos meses depois. “Além da negociação direta com o cliente, começamos a distribuir os kits também em empórios e outros pontos de venda”, diz o empresário.

O kit 'Gin Lovers': ingredientes, acessórios e receita
O kit 'Gin Lovers': ingredientes, acessórios e receita - (Foto: Divulgação)

No momento, a Strike Bartender, empresa de Matarazzo, está criando conteúdo online para ensinar os clientes a preparar os drinques. “E começamos a vender para empresas os kits atrelados ao curso”, conta. A ideia é que os funcionários ganhem o kit como um brinde e, na data combinada, todos assistam ao vídeo ao vivo com a preparação da receita, em um cenário de bar especialmente montado para o cliente. “Toda dificuldade gera uma nova ideia de trabalho. Foi isso que nos moveu”, conta o empresário.

Boom das embalagens

Já para a empresária Luciana Carvalho Lopes, de Atibaia (SP), o sucesso veio sem muito planejamento. Ela vende embalagens plásticas para alimentos no e-commerce e em um grande marketplace. Com os restaurantes fechados pela pandemia, a procura de seus produtos por causa da demanda do delivery disparou. “Além disso, muita gente que perdeu o emprego na crise passou a preparar alimentos em casa para vender”, conta Luciana.

A empresária, que antes apenas complementava a renda em casa, passou a ser responsável pela maior parte do orçamento familiar. Os negócios do marido, Alexandre de Lara, que é representante comercial das mesmas embalagens, diminuíram porque ele vende principalmente para lojas físicas. “No fim, ele teve que me ajudar para que a gente pudesse dar conta de tantos pedidos”, conta. As vendas, segundo ela, sextuplicaram.

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Com o mercado aquecido, Luciana alugou um imóvel há cerca de um mês para poder armazenar e embalar os produtos para despacho. Um funcionário, que atuava por meio período, agora trabalha em horário integral. “Se tudo der certo, em breve vamos contratar mais uma pessoa”, diz. Além da página da Festa Pratika, a empresária está montando um novo site, com uma linha diferenciada de produtos para venda no atacado. A ideia é não ficar tão dependente do marketplace, responsável pela maior parte de suas vendas.

A importância da logística

A iniciativa de Luciana foi elogiada pelo executivo Marcelo Fujimoto, CEO da plataforma de inteligência logística Mandaê. “Os marketplaces são uma ótima opção para quem está começando porque mostram ao empreendedor quais produtos vendem mais e até ajudam a ajustar os preços”, explica.

Apesar de ser uma experiência rica para quem quer aprender, não se pode depositar todas as fichas nessa modalidade de venda. Isso porque, segundo Fujimoto, graças aos algoritmos da plataforma, “num dia você está vendendo bem, no outro, não”. Como isso acontece? Depende do modelo de marketing digital contratado por cada lojista. “Quem paga mais, aumenta sua visibilidade no site.” Além disso, explica o especialista, muitos vendedores usam a estrutura logística do marketplace, o que pode comprometer, no total, até 40% de sua receita.

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O ideal é que os pequenos e médios invistam nas vendas diretas no e-commerce assim que for possível. “Depois, é preciso ir atrás de uma solução logística, que é a chave para o sucesso desses empreendedores”, afirma Fujimoto. O primeiro passo é pesquisar empresas e plataformas que agregam o volume de vários e-commerces e, assim, conseguem oferecer preços mais competitivos pelo serviço. “Solucionada esta equação, os pequenos vão crescer de forma fortalecida e estruturada”, diz o CEO.

Apps de comida

A mesma regra vale para os aplicativos de entrega de comida. Segundo Marcelo Nakagawa, do Insper, os apps mais populares cobram até 27% de taxas sobre as vendas, o que pode tornar-se muito pesado para pequenos restaurantes. “Além disso, se essa for a única aposta daquele estabelecimento, há o risco de o negócio quebrar caso o app queira desfazer a parceria”, diz. “Para quem não pode contar com uma pequena frota própria de motoboys, há plataformas menores de serviços de entrega que possuem até planos gratuitos. Vale a pena pesquisar.”

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Além da pesquisa, é importante buscar conhecimento e atualização o tempo todo. Guilherme Campos, do Sebrae, lembra que mesmo com o atendimento presencial suspenso, a entidade permanece à disposição para ajudar na capacitação e tomada de decisões. O empreendedor pode buscar atendimento gratuito 24 horas por dia no telefone 0800-570-0800 e no portal www.sebraesp.com.br. Há também mais de 100 cursos online no ead.sebraesp.com.br.

"O Sebrae-SP também oferece uma programação diária de lives e cursos voltados para o empreendedorismo na prática. A partir desses cursos, os interessados podem participar do Empreenda Rápido, programa que oferece desde a formalização até o acesso a crédito", finaliza Campos.

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